segunda-feira, 22 de julho de 2019

Livro Blog7 parte4 O livro das histórias cruéis "Querido papai"

                                 "Querido Papai" 
parte 4 do Conto I-continuação de " Luiza" parte 3, " A bruxa" parte 2 e " O menino do bosque" parte 1.

"Querido papai"

.Acredita em mim Juca!

                .Meu nome não é Juca já falei p vc!

.Agora é!               

                 .Que saco menina!
                  Vc tá mentindo!                 
                  Sua mãe louca tb tá mentindo!

.Vc viu Juca, vc viu! 
A gente mostrou tdo pvc ! 
Vc viu os videos! Vc viu!
Para de mentir p vc mesmo! 
Deixa a gente te ajudar! 
Segue meu plano! 
mas isso vc não conta p minha mãe eu te imploro! senao nunca vai dar certo! 
...
...

Juca? 
Juca!
Jucaaaaa 
eu to cheia do desgraçado se esfregando em mim!!!!!!!
eu vou matar ele 
eu vou gravar p todo mundo ver!!!!!!! 
Os filadaputa dos juiz só acredita na gente qdo tem video dos maldito se esfregando na gente ou fazendo mais coisas que eu mato o desgraçado antes dele enfiar aquele pinto gosmento em mim! 
Juca a gente tem que fazer isso juntos! 
Na mesma semana, 
se der no mesmo dia!
Jucaaaaaaa! 
Todos nós!!!!!!!

                   .Se meu pai descobrir qe agente ta se                       falando ele vai fica furioso!

.Não Juca! 
Se ele descobrir ele vai matar vc! 
Acorda! 
Acorda Juca!


-Merda! merda!- gritei enquanto decidia se corria pela janela quebrada, mata à dentro, no corre, do jeito que estava, do jeito que dava ou se descia às pressas ao ateliê para obrigar o verme a ir atrás de mim, lutei para que minhas lembranças não me atrapalhassem ainda mais -Droga! Eu já perdi o controle antes da hora hoje por causa destas malditas lembranças! Mas de hoje não vai passar querido papai! De hoje não vai, afinal, eu estou para completar meus malditos 12 anos não é mesmo? Ou eu já completei? Você ferrou tão fodidamente meus miolos que eu já nem sei mais até isso direito! Meu papaizinho querido, tão bonzinho você, não é mesmo? Você me ama tanto não é mesmo? Me ama tanto que precisa ser um só comigo não é mesmo? Não é isso que você diz seu desgraçado! Fala!

Sem pensar e antes que me desse conta, arremessei contra a figura assustada e cambaleante que tentava se reerguer do chão um não tão grande mas pesado o bastante para terminar de arruinar a face retalhada de estilhaços, sangrenta pelo corte profundo na testa e inchada de chutes recentes do maldito, um vaso que sobrevivera até então ao meu ataque de ira.

-Deus, Deus, meu Deus meu filho o que está acontecendo com você Joaquim?- gritou o verme enquanto tentava se proteger com os braços dos estilhaços do vaso, que não acertara em cheio o rosto, mas machucara ainda mais as mãos, os braços e a cabeça que sangrava cada vez mais com os novos ferimentos.

-Não fale em Deus, seu diabo maldito! Eu...Jesus!- Vi com espanto aquela figura de capuz, surgindo pelo imenso corredor que ligava a sala de jantar aos outros cômodos da imensa casa, meu coração golpeou com tanta força que senti como se saísse de meu peito, igual um alien, aquele do filme que saía do peito das pessoas arrancando costelas, tórax, peito, carne, ossos, pele, tudo junto! Era essa a sensação que eu tinha naquele momento, segurei a emoção, imediatamente controlei o tremor dos joelhos e segurei minha boca para não gritar, eram eles e eu precisava fugir, mas como descobriram? Em pânico pensei sobre a possibilidade de meu pai ter convidado mais alguém naquela noite de lua cheia, era a especial, não era? A noite da lua cheia dos meus doze anos, os malditos doze anos, que ele tão ansiosamente esperava e do qual falava com os pervertidos do grupo dele! E se além do maldito mais alguém observava as câmeras de segurança? A casa era toda rodeada pelas malditas câmeras! Viram quando eu quebrei as janelas? Vieram ajudar o desgraçado? 

Lembrei de minha amiga avisando-me pelo celular, que meu pai não podia sequer imaginar, estava em minha posse desde o dia das Bruxas, presente dela, da minha incrível amiga Bruxa Letícia!

" Se ele descobrir ele vai matar vc!"

-Não hoje!-Disse, mas só para mim mesmo enquanto corria de volta para a sala e dela só tive tempo de pegar a coberta de cima do sofá para nela me proteger e me precipitar pela janela abraçado na almofada do sofá, enorme e resistente o suficiente para impedir de me quebrar ao cair no chão, não parecia tão alto, afinal era apenas um andar acima do térreo, se eu estivesse no andar acima, nos quartos, aí sim seria bem pior, pensei nestas coisas apenas para não chorar diante da dor alucinante que senti ao bater meu braço direito no chão e ser arremessado quicando igual um boneco desengonçado, abraçado no almofadão. Deve ter sido uma queda ridícula mas pelo menos evitou que me quebrasse todo, e apesar da grama sedosa do jardim suavizar a queda, ao levantar senti dor em todos os lugares e mesmo sem conseguir correr, andei o mais rápido que pude até o fim do gramado, onde se iniciava a rua de asfalto que levava para dentro do bosque e que levava para a avenida principal, pensei que felicidade as casas no exterior não se preocuparem com imensas grades e muros e que se fosse no Brasil muito provavelmente não conseguiria fugir! Lá as casas são feitas para impedir a entrada de ladrões mas assim também impedem a fuga dos que precisam fugir! 

-Letícia! Letícia eu estraguei tudo, desculpa Lê!- funguei chorando enquanto tentava correr mancando, envolto no cobertor, não queria perdê-lo, tinha esperança de fugir e sabia que aquele frio sem uma proteção me mataria! 

- Ôooo moleque! - Uma voz feminina que falava rindo, se divertindo às minhas custas me deixou paralisado, devagar me virei para ver quem era, na certeza de que seria morto em seguida- Vai fugir pelo mato pulando igual um saci? No meio da noite vai ser um saci branquelo congelado! Tá doidinho já você né meu? Pira não maninho, tamo junto, tamo junto meu! Ae, pega o meu, toma ae, veste logo moleque, esse é dos bonzão, forradinho e tals, pra usar nesses lugar de friaca dos caralho, paguei mó grana nele einh, depois você me acerta essa dívida ae falous? Ná, suave, suave, não precisa não moleque, tô brincando, é presente! Re cor da ção, háááá e depois se espirulita, mas só vai, vai reto, vai toda vida e não olha pra trás porque hoje aqui, ah menino, hoje aqui os demônio do inferno vão ficar com tanto medo da gente que até satanás vai ajoelhar pra rezar! Pega teu rumo e vaza, ahhhh uia o moleque! Tá de tênis? Tá de jeans? De blusão einh! Olha só, a essa hora? O teu paizinho não achou estranho não que tu ainda não tava de pijama? Háááá, tu achou que ia fazer esculhambação com ele né, né? Sem nóis? Ôôô loco meu, prestenção, ae...primeiro os veterano! Agora some, vaza neném, vai reto, chegou no fim da estrada usa esse celular, prestenção, tá prestando atenção ou tá em choque? Ô ae, se esperta, chegou lá no fim da estrada liga pra esse numero aqui, entendeu? Mas só quando chegar no fim da estrada, entendeu? Meu, se vc ligar antes fudeu todo o esquema moleque! Sai fora vai, vai na fé e só vai!

Saí meio atordoado, meio zonzo, primeiro meio vagaroso, desconfiado. Olhei para trás e vi a moça sorridente que falava toda feliz, se divertindo enquanto me vestia com o casaco dela e apertava o capuz exageradamente em meu pescoço enquanto me enrolava num cachecol lilás de " Little Poney" , andando em direção a casa, ela colocava um capuz, igual ao do homem que eu vira a pouco no corredor e que me fizera fugir desesperadamente, um capuz que jamais esqueceria, vermelho com o desenho da morte segurando uma foice, cravada num demônio.
Não podia sequer imaginar o que aconteceria lá dentro.
Mas entendia que de alguma forma incrível e terrível era o fim do desgraçado.
Andei pela estrada, naquela noite gelada de lua cheia, clara o suficiente para andar por toda a noite em meio ao bosque em direção à avenida principal
"...chegou no fim da estrada, usa esse celular...mas só quando chegar no fim da estrada..." a voz risonha daquela moça, de cabelos negros e encaracolados me lembrava uma voz familiar, um sorriso familiar, só não conseguia lembrar de onde, meu coração parecia ter parado, em choque eu andava, a luz da lua me iluminando o caminho em meio ao bosque.
...
Na casa, atordoado, Henrique vira o filho correndo para a sala, antes que pudesse segui-lo fora atingido pelas costas, violentamente, de um único golpe sentiu suas costas dolorosamente atingidas por algo profundo o suficiente para se saber morto e súbito o bastante para entender que não morrera, mas que ferido para a morte estava sendo levado bruscamente pelo corredor que levava da sala de jantar às escadas que por sua vez levavam ao ateliê que ficava no andar de baixo do casarão de três andares, onde uma sala grande que fazia menção à um hall de entrada exageradamente suntuoso, com tapeçaria indiana, móveis rústicos de mogno maciço com janelas imensas de vidro para a iluminação natural dividiam o andar térreo com um ambiente criado para ser jardim de inverno, salão de festas, adega e sala para criações, onde uma placa banhada à ouro ornamentava a frase " Ateliê do Joaquim e do papai, lugar de ser feliz" dava acesso a uma linda e inocente sala que se assemelhava a uma brinquedoteca projetada para o mais amado dos filhos do mais rico pai, com video game, jogos, muitos brinquedos, TV, poltrona infantil, bichinhos de pelúcia, mesa para desenhar e muitos livros com materiais de pinturas dignos de uma criança rica que possuía sua própria sala de brincar, ao lado, no mesmo ambiente porém mais rústico, telas, suporte de tripé, pincéis e inúmeros quadros de Joaquim brincando, exibidos numa estante repleta de retratos e pinturas, o que demonstrava a admiração e o amor de um pai que se dedicava à arte em homenagem ao filho...mas o que apenas Henrique sabia e o arquiteto que também fazia parte do clube dos " Queridos papais" e recentemente Joaquim após ser alertado pelas bruxas e passar a investigar o pai sem que ele soubesse, era que a estante de livros na verdade tratava-se de uma porta que dava acesso a outra sala, uma que permitiria até mesmo ao mais amador dos video makers realizar produções com qualidade profissional, tamanha era a qualidade das câmeras, computadores e da ilha de edição, favorecidas pelas imensas vidraças que ficavam ocultas por pesadas placas que quando fechadas modificavam completamente o cenário por aparentarem ser parte natural da parede, mas quando abertas pelos trilhos que funcionavam rentes aos chão, ocultando o mecanismo semelhante ao de portas de correr, mostravam imensas vidraças que criavam um cenário iluminado, com manchas que surgiam do jogo da luz da lua sobre as árvores do jardim da casa para dentro da sala. 

Com pavor, Henrique entendeu que não estavam apenas ele e seu filho na casa, alguém o ferira mortalmente e o puxara pelas costas com a força de um adulto, de um homem adulto. Mas quem era? 
O que quer que fosse que estava cravado em suas costas fazendo-o grunhir em dor de agonia não o permitia virar-se. 
Quem era aquela pessoa forte o suficiente para puxa-lo naquela velocidade e facilidade? 
Como conseguira driblar as câmeras de segurança? Porque o alarme não tocara? 
Num instante de pavor observou que o filho ao ferir-se na janela quebrando-a com a cabeça deveria ter acionado o alarme e no entanto isso não acontecera! Percebeu aflito que em outra situação teria imediatamente investigado a falha da segurança, mas que ao ver o filho ferido, sangrando, se desesperou e correndo até ele sequer percebeu este importante detalhe e depois de ele próprio ferir-se com aquela estúpida queda sobre a mesa de vidro, confuso e aflito pelas acusações e a estranha e repentina mudança de comportamento do Joaquim que o haviam deixado absolutamente atordoado, sequer pensou sobre o terrível fato de que algum estranho poderia aproveitar-se para adentrar na casa! 
Seria um ladrão? 
Pior, seria um dos pais daquele grupo infeliz do qual não conseguia se desvencilhar? 
Teriam descoberto que ele enganava a todos nos vídeos com a luz da lua e que nunca havia completado a penetração? 
O que eles queriam? Aqueles lobos sedentos por pequenos meninos, que ele machucasse o próprio filho? Jamais o penetraria antes dos 12 anos, nunca! E jamais o faria sem que Joaquim estivesse sedado o suficiente para nunca se lembrar! 
Teriam descoberto isso? Como? Estariam ali? Estuprariam seu precioso filho? 
Sabia dos casos em que pais tentaram sair do grupo mas foram encontrados mortos e os filhos sequestrados e levados para as " masmorras", as casas para onde levavam as crianças desaparecidas, para servirem sexualmente à todo tipo de pervertido violento e depois serem mortas, estes vídeos chegavam até eles, era um alerta do que aconteceria caso descumprissem as regras! 
Em pânico, pensando no terrível destino do filho, tentou se debater, levantou os braços feridos com dificuldade para tentar arrancar o que estava em suas costas para descobrir com pavor que tratava-se de uma espécie de anzol para pesca de tubarão, a cada tentativa era golpeado na cabeça e a dor o impedia de respirar, a visão já turva ia tornando-se cada vez mais um imenso borrão de sangue, em meio ao sofrimento e desespero lembrou do que o filho a pouco dissera em sua fúria 
" ...Mas de hoje não vai passar querido papai...eu estou para completar meus malditos 12 anos não é mesmo...você ferrou tão fodidamente meus miolos...papaizinho querido, tão bonzinho você, não é mesmo..."  
Com a certeza da morte correndo em suas veias entendeu que Joaquim não estava sozinho, sentiu uma profunda dor no peito e um desespero não pelo que poderia lhe acontecer mas pelo que o filho iria se lembrar, Henrique queria que o filho tivesse suaves e amorosas lembranças de suas carícias, nunca de dor, jamais de dor! 
Desesperou-se em seu cruel e infeliz raciocínio tentando lembrar em que momento poderia ter deixado o filho sozinho e com acesso a telefone, ou internet, o que ele nunca deixava, havia pensado em tudo, em como fazer Luiza parecer louca, em como conquistar o coração e a confiança do filho, em como tornar as carícias prazerosas para ambos sem deixar marcas e jamais machucados, em como preparar o corpo do precioso e lindo filho para ele, mas somente depois dos doze anos! 
Para que fosse exitoso dessa vez, levara o filho para longe, para a casa do bosque, cuidava para que estivesse sempre em sua companhia, e o único lugar que permitira a frequência de Joaquim era o colégio e apenas porque sabia ser absurdamente caro, ser ele o pai mais respeitado entre professores e direção, ter feito generosas doações para a instituição de ensino, tornar-se propositalmente um dos melhores amigos do diretor e ter a certeza de que Joaquim era o único brasileiro matriculado! 
O que poderia ter alertado o filho então? 
Como conseguira se comunicar? 
Deixava o ateliê sempre trancado e quando Joaquim pedia-lhe para brincar lá, ele estava sempre junto!

Seus pensamentos foram interrompidos por mais dor alucinante, agora de seu corpo sendo arremessado escada abaixo, aos tropeções, aos chutes, com violência, precipitando-se ao andar de baixo.
Ao cair dolorosamente ao final da escadaria no hall, manchando toda a tapeçaria indiana com seu sangue que escorria pelas costas, pôde finalmente ver o seu algoz, um homem forte e alto de capuz que rindo o arrastava novamente e a cada tentativa em vão de se defender era ainda mais violentamente golpeado com socos e chutes, com pavor viu que seu algoz conhecia o caminho, possuía a chave do ateliê e sabia usar a porta-estante.
E assim, em meio ao desespero, dor e tentativas em vão de levantar-se e defender-se, Henrique fora arrastado por toda a sala de vídeo, levado pelo ateliê macabro, içado e suspenso como um porco no matadouro por uma corrente no teto, pendurado em agonia se debatendo, as pernas inutilmente tentando alcançar o chão, chorou e implorou misericórdia.
Viu que o algoz conhecia o controle remoto e sabia abrir o mecanismo das janelas, quando a luz da lua cheia adentrou o ambiente sinistramente cruel, banhou com sua claridade um homem cruel de meia idade, em pânico diante da morte cruel, olhando com pavor para um rapaz cruel de 20 anos, forte, alto, que tirava seu capuz para exibir na luz da lua um sorriso cativante, sedutor, amoroso, de um rosto com sobrancelhas grossas e sorridentes, cujos olhos eram da mesma cor do castanho claro, quase cor de mel, do mesmo tom dos olhos de Joaquim e do mesmo tom dos olhos em pânico de Henrique.
A voz do jovem sorrindo em tom suave e carinhoso atravessou o coração de Henrique como se fosse a pior e mais afiada das lâminas:
- Oras, oras, que felicidade vê-lo assim em tão boa saúde, nesta linda noite de lua cheia, oras, vamos, anime-se, não está feliz em me ver, hein? Querido papai!

...Continua

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Esta é uma obra de ficção, o Livro Blog contém 7 livros, sendo que o livro 7 contém 8 contos. O livro 7 trata-se de ficção inspirada em fatos reais, de vítimas reais de diferentes épocas, mas nenhum personagem do livro é real, nenhuma situação vivida pelos personagens realmente ocorreu, infelizmente como existem algozes terríveis no mundo real, se algum fato, situação ou personagem desta obra de ficção remeter à alguma vítima real é apenas uma terrível coincidência.